Diário da Crise
Pausa pra pensar
Tuesday, November 18th, 2008 | Diário da Crise, Sobre a Bolsa e a Vida | 3 Comments
Frustração, dúvida, indecisão, falta de rumo. Vários verbos conjugados no passado: era, podia, devia, foi… Passado este que poderia tanto ter sido ontem, quando o erro ainda era possibilidade de acerto.
O que é pior quando a gente perde? A falta do dinheiro, resultado de alguns anos de trabalho? Planos adiados por que o futuro virou pó? A idéia fixa de que o esforço desprendido em cima de livros e gráficos foi em vão?
O pior é a sensação de fracasso.
Quando a gente erra, acredita que só a gente errou. Leva o prejuízo pra casa, embrulhado na própria impotência, quase como um troféu. O mundo inteiro está ganhando, só você está perdendo.
A verdade é que nunca se perdeu tanto no mercado. Referência, esperança, coragem, rumo… e claro, dinheiro.
Um consolo? Cada centavo foi perdido na tentativa de acertar. Ninguém perde de propósito. Investir na Bolsa é arriscado, mas a Vida também é. Quando investimos corremos riscos. Inclusive de ganhar.
Se você já foi criança sabe que a Vida é parecida com um jogo. Uma hora vem a virada e quem marca o gol é você, que termina entendendo que tudo faz parte do jogo: atacar ou chutar para a lateral. O que importa é que a bola esteja em campo.
Eu vou continuar jogando. Tudo, menos a toalha. Eu me recuso a ficar sentada no banco de reservas da Vida.
PS - Este post é dedicado a todas as pessoas que perderam dinheiro na Bolsa. Há maneiras de recomeçar. Há estratégias para se recuperar. Vamos esperar pela volta, não do mercado estável e altista, mas da nossa própria calma e equilíbrio. Enquanto isso não acontece, por favor, não façam nada.
Começa a Aventura
Sunday, November 9th, 2008 | Diário da Crise | 2 Comments
30 de Setembro de 2008
É como sempre digo e morrerei dizendo: tudo passa nessa vida. Até pânico no mercado.
Depois do caos os ânimos amanheceram mais calmos. Algum tipo de solução começava a se esboçar e todos sabiam que providências seriam tomadas pelo governo americano e de outros países para não deixar o mundo quebrar.
Já que o mercado parecia se recuperar e as ações da Petrobrás continuavam cruzadas nas MM - e eu já estava em Petr até o pescoço - comprei mais um pouco. Nem imaginava o que ainda estava por vi, um verdadeiro rally de altas e baixas astronômicas, e pensei que colocar meu dinheiro num papel tão forte não representava risco quase nenhum. Como de hábito, vendi calls: PetrJ34.
O dinheiro entrou, mas eu estava pocisionada num strike perigosamente perto do meu preço médio no papel. Então adotei algo que me ajudaria demais nos dias caóticos que estavam por vir: num caderninho eu anotava cada operação, o que passava pela minha cabeça quando havia feito, os possíveis resultados e o que eu poderia fazer se o mercado subisse, caisse ou andasse de lado. E é graças a esse caderninho que esse blog está sendo escrito.
Nesse dia anotei o que poderia acontecer com minhas Petrs: queda abaixo dos 34 me deixaria os papéis para lançar opções K; alta acima dos 34 e eu iria para o exercício com um lucro de 4,55% ou poderia ainda recomprar as opções ou rolar para um strike acima. Tudo - aparentemente - sob controle.
Os dias seguintes viriam me provar redondamente enganada. Mesmo com a aprovação de um pacote de medidas pelo congresso americano e montanhas de euros resgatando bancos europeus, o mercado simplesmente não respondia.
Em apenas uma semana a Bovespa tinha recuado -12,27% e o dolar ultrapassava a casa dos 2,00 reais.
Pense num investidor iniciante diante deste quadro. Pense numa pessoa que ouviu, no final de 2007, às vésperas do reveillon, que a Bovespa fecharia o ano acima dos 80000 pontos. Pensou?
Eu não. Não pensei em nada. Procurei com todas as forças manter a calma, a serenidade e - poque não - a esperança. No pior das hipóteses, citando o filósofo Valair, ficaria para o longo prazo.
Porém, nada, mas nada mesmo, poderia ter me preparado para O Dia do Fim do Mundo!
O Primeiro Circuit Breaker a Gente Nunca Esquece
Wednesday, November 5th, 2008 | Diário da Crise | 1 Comment
29 de setembro de 2008
Parecia um dia como outro qualquer. Não me lembro se chovia ou fazia sol, mas no horizonte nada indicava tempestade. Muito menos furacão.
Acordei e liguei o pc. O mercado caia, nada do outro mundo, nada diferente do que já estávamos acostumados a ver. Com um bolinho de Petrs na mão e algum dinheiro ainda na conta, me empolguei quando vi o preço do papel a 33,08. Falar em Petr a 33,00 hoje tem um gosto de bons e velhos tempos, mas no dia imaginei que o tão esperado fundo do poço não poderia estar longe. Sem dúvida nenhuma no coração, comprei mais. E vendi PetrJ36 pra por um troco no bolso. Preço médio baixando, eu feliz da vida.
Desliguei o pc e sai. Deus protege os ignorantes. Não me lembro o que fui fazer na rua, mas na volta passei no escritório de meu irmão. Quando bati na porta, lá de dentro ele gritou um “entra!” meio desesperado. Nem bom dia ou oi, como vai, apenas o dedo apontado para a televisão ligada na Bloomberg. Olha isso. Na tela, a notícia: o congresso americano havia votado contra o pacote de resgate do setor financeiro.
Quem desligou o ar do planeta?! Não sei se me sentei primeiro e me abanei depois ou vice-versa. Quem esperava por isso? Eu só repetia: não acredito, alguém vai fazer alguma coisa, não vão deixar o mundo quebrar. Meu irmão desligou o telefone depois de consolar um amigo que nos convidava para pularmos da ponte juntos e proferiu uma expressão que eu nunca tinha ouvido mas que se tornaria tão familiar nos dias vindouros.
Circuit o quê? Quarenta minutos depois da minha compra de Petr a 33,00 a Bovespa fechava com queda de mais de 10%. Na sala um clima de 11 de setembro. E, agora José? Eu só conseguia pensar: eles não vão deixar, alguém vai fazer alguma coisa.
Enquanto meu dinheiro derretia e eu não sabia se ria ou se chorava, um estranho frio na barriga, mistura de desespero e excitação, me dizia que eu vivia um momento histórico. Mal sabia eu que muitos outros “dias do fim do mundo” viriam.
Porém, graças a Deus, ao contrário das Torres Gêmeas, o mercado cai mas também sobe.
Tem batom na bolsa?
Monday, November 3rd, 2008 | Diário da Crise | 3 Comments
Tenho! E mais celular, chaves, um caderninho de anotações, um iPod Touch que fica sempre ligado na Bloomberg… Esse era o provável conteúdo de minha bolsa no dia 24 de setembro de 2008.
Já na Bolsa de Valores de SP eu possuia algumas ações da Ambev. Na conta da corretora, apenas dinheiro. Cash. Estava pronta para abandonar o barco e aportar nas praias mais seguras da renda fixa. Como vocês verão, o destino quis diferente.
O título do blog explica: sou iniciante. Vinha operando opções sob a orientação de meu irmão - experiente e escolado - mas ainda assim tinha sofrido perdas significativas, cerca de 20% do meu capital. Para mim era a hora de parar. Manteria as Ambevs de olho no longo prazo, pois seu gráfico diário mostrava cruzamento para cima nas médias móveis 9/40. Mesmo com a frase “desistir é para sempre” martelando na cabeça, eu estava pronta para sair da Bolsa.
E então…o destino conspira contra mim (ou a meu favor, só o tempo irá dizer). Ligo o broadcasting e me deparo com algo que venho esperando há meses. Ponto de compra do meu papel mais cobiçado. Petrobrás. Cruzada pra cima nas médias móveis… Como resistir??? Comprei um lote pequeno para buy and hold. Paguei 35,00 reais.
Ora, se tenho o papel… porque não vender opções? Não querendo me desfazer dos pápeis, escolhi um strike bem OTM. Vendi PetrJ40 e coloquei um troco no bolso.
Dia 25 de setembro de 2008
A empolgação deve ser um dos piores inimigos de quem está começando a investir. Só perde mesmo para o pânico. Com as médias móveis (9/40) da Petr4 cruzadas para cima, eu só cobiçava mais pápeis. Minha saída da Bolsa, tão cuidadosamente preparada, e a tranquilidade da renda fixa tinham virado uma vaga lembrança do passado. Comprei. Paguei 35,26. Lote pequeno, coisa pouca. Para buy and hold, eu dizia pra mim mesma. O papel é forte. O foco é o longo prazo. Crise, que crise? Meus olhos brilharam quando vendi PetrJ38 e meu preço médio baixou. Era o inimigo número zero do investidor - a ganância - que começava a por de fora as suas ainda modestas garras. Claro que eu não percebi. Prudência? Eu estava encantada demais olhando na tela do computador meu lote de Petrs aumentar. E, assim como o número de ações que possuía, eu esperava ansiosamente ver o preço delas subir. Mal podia esperar.
E foi assim que às vésperas do dia 29 de setembro de 2008 - e eu sei que vocês sabem que dia foi esse - eu, que poderia ter saído, tinha colocado de volta todo meu dinheiro… na Bovespa!


